Matéria publicada hoje no jornal “O Informativo”, no RS.

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O corpo é a mensagem das emoções.

Grande parte da comunicação humana se passa num nível em que a importância das palavras é apenas indireta e que a parte visível da mensagem é, no mínimo, tão importante quanto a audível. O homem reage intuitiva e espontaneamente aos códigos não-verbais. Os norte-americanos, por exemplo, se constrangem ao ver um homem cruzar as pernas da mesma maneira que uma mulher. Para eles, o correto é apoiar o tornozelo sobre o joelho. Qualquer coisa diferente é considerado frescura. A reação ao fato é mecânica e demonstra não apenas que a linguagem não-verbal interfere na comunicação entre as pessoas como também revela o preconceito corporal.

Portanto, nossos gestos dizem muita coisa de nós: olhares, erguer de sobrancelhas, pés balançando, ombro curvado, representam uma linguagem muito mais eloqüente do que a própria fala. Uma linguagem que não mente. O escritor Pierre Weil, autor de O Corpo Fala, garante que pela linguagem do corpo pode-se dizer muitas coisas aos outros. “E eles têm muito a dizer a você.” A comunicação não-verbal fascina os leigos há séculos. Mas foi somente no início deste que começou uma pesquisa sobre o assunto. Foi então que os antropólogos observaram que os movimentos do corpo não são causais, mas que são tão legíveis quanto a linguagem. Psicólogos, antropólogos, sociólogos e etólogos estão cada vez mais empenhados em decifrar a linguagem silenciosa e, por isso, analisam filmes em câmera lenta. Esse estudo prolongado levou Ray Birdwhistell, o pioneiro no estudo da cinética, a concluir que grande parte da verdadeira comunicação humana se passa num nível abaixo da consciência, e que a relevância das palavras é apenas indireta.

Apesar de ser tão silenciosa, essa linguagem influencia nas relações humanas. As pessoas são enormemente sensíveis entre si e nem sabem disso. Quando começam a se movimentar junto, elas se tornam incrivelmente integradas. Há alguns anos, pesquisadores, com câmeras escondidas, identificaram as estratégias de paquera mais eficazes. São as ditas manobras de comunicação não-verbal que fazem sucesso entre homens e mulheres. Eis os sinais:

– Jogar a cabeça para trás: um clássico na arte de chamar a atenção. Significa: “Ei, olha aqui!”

– Ajeitar-se: com gestos elegantes e sedutores, mulheres ajustam as saias, alisam as blusas. “Você está gostando?”

– Acariciar um objeto: uma paquera sutil. “Posso fazer isso com você.”

A linguagem corporal

A linguagem corporal envolve, além dos gestos e posturas e expressão facial, a vestimenta, adereços e traços físicos. Mais do que proteger o homem das intempéries do tempo, a roupa revela um discurso pessoal: encobre o feio e mostra o belo, caracterizando até a classe social do sujeito. Do vestuário fazem parte os adereços, a maquiagem feminina, os acessórios masculinos. O poder do ornamento reside justamente no que não diz. Um colar, um cinto, uma pulseira arrojada são uma forma de demonstrar discrição ou exibição, auto-estima, poder, dominação. Por meio da roupa e seus acessórios a pessoa diz aos outros quem é, com o que está preocupada ou para que veio ao mundo. Mesmo a falta de acessórios é uma forma de romper com o convencional. Tudo fala quando a boca cala.

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